32 anos de actividade – hoje

Posted in mandrágora on Novembro 20, 2011 by mandragora79

completámos HOJE 32 anos de actividade cultural – queremos agradecer desde já – as centenas de felicitações por mais este aniversário.

Mandrágora é um projecto com raiz em Cascais… mas viva (sobretudo) fora do país que somos.

- Mais do que um projecto estético, trata-se de um colectivo informal que jamais teve como proposta a produção de eventos dramáticos ou plásticos de carácter comercial. Trata-se, mais concretamente, de um espaço de experimentação/acção em processo e progresso permanentes.
 Muitas vezes limitamo-nos a saltar de e no vazio… Como dizia, num poema, o Mário Cesariny – “acamaradamos” e, num estalar de dedos vem uma ideia – se viável é, prosseguimos.
É desta forma que encetamos uma fase em que tudo é brando, estranho, difuso. Então, quando tomamos consciência das “imagens” criadas, apropriando-nos do seu sentido, o que parecia o caos converte-se em acto.
As nossas acções, podemos dizê-lo, rompem de um estado frequentemente ambíguo. E isso permite, a quem está de fora e nos vê, todo o tipo de interpretações.
Apostamos em desafios, no desafio da metáfora do mundo da arte contemporânea.

II encontros de arte contemporânea – da montagem

Posted in mandrágora on Setembro 25, 2011 by fundação velocipédica

em tavira (de 17 a 17 dos meses de setembro/outubro) decorrem os II encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia. um projecto da “associação de artistas plásticos do algarve” que contou com a colaboração de mandrágora. o evento conta com a presença de artistas dos dois lados da fronteira. a nossa presença – em destaque – com um vídeo da performance de m. almeida e sousa e gonçalo mattos e ainda as primeiras imagens da montagem do espaço

marioneta de m. almeida e sousa
recanto da sala com caixa mágica
m. almeida e sousa e gonçalo mattos – discussão do projecto
recanto com marionetas
m. almeida e sousa e o escultor adão contreiras – ponto da situação…

II encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia – imagens

Posted in informação on Setembro 22, 2011 by fundação velocipédica

Projecto da associação de artistas plásticos do algarve

quartel da atalaia – tavira de 17 de setembro a 17 de outubro de 2011

presença e colaboração de mandrágora

 

 

 

os surrealistas…

Posted in informação on Março 25, 2011 by fundação velocipédica

um novo projecto de MandrágorA

em jogo um continuo de ambiguidades, dissociações, metamorfoses, recomposições, invenções, transgressões…
um projecto determinado, dinâmico e, de ruptura -  autentico porque vertiginoso.
nada há para inventar. o objectivo é o que se vê – que se vê bem. desejamos a forma. uma forma clara, distinta. uma forma intensa e rica em experiências. e um abrir o olhar às coisas…
o processo, este, implica esse experimentar do automatismo tão marcado pelo movimento surrealista.
e alterar o rumo, os rumos do mecanismo.
é, desta forma, que queremos explorar as “estranhas” imagens poéticas (sugeridas). abri-las na acção e dar-lhes um suporte de efeitos/movimentos que se aproximam de imagens aparentadas com deidades primitivas deambulando na cena.
desejamos estar perdidos num espaço povoado de figuras que tomam parte numa espécie de representação cósmica e, em explosivo movimento – muitas vezes citado nos poemas que servem de objecto de construção do acto performativo.

estamos a falar da contribuição da poesia e pintura surrealista. do descobrimento de regiões espaciais desconhecidas.

uma forma, um percurso em que o engenho do actuante nos reconduz a metáforas objectivas recorrendo à experiência individual subjectiva.
pensar como os autores dos textos o faziam, o propunham.

o espaço obedece a certas geometrias unidas na exploração do inconsciente – é uma porta que permite o alcançar de uma nova realidade.

manel, bruno e gonçalo

estavamos em guerra… depois esquecemo-nos

Posted in opiniões on Fevereiro 5, 2011 by fundação velocipédica

 

é
era
a guerra colonial
em 1997 fiz (fizemos) um espectáculo
estreou na galeria “moçambique kultural” com a presença do poeta
mário cesariny de vasconcelos (nosso homenageado – nosso de mandrágora e da galeria do pintor inácio matsine)
da galeria
o espectáculo passou para o museu da electricidade (belém)
foi um rever duma guerra com o humor surreal qb
os espaços encheram
“mas ninguém viu”
o costume
e
isto vem a lume
tendo em conta as reflexões (lidas) no facebook

vivemos num país onde a crítica está sempre ausente
porque crítica é apanágio da maledicência… (aqui)
vivemos num país onde tudo é aceite
até que os forçados sejam encaminhados para uma guerra como uma vara de porcos a caminho do matadouro

foi isso “as memórias de um guerreiro forçado” que assinei com os restantes cúmplices de uma mostra dramática
a guerra
o desencanto
a miséria
a descrença
a demência
as chagas
marcas que se estendem à vertente kultural

não
não fizemos o espectáculo bem comportado
e
com mensagens subliminares para o povinho se sentir revoltado
e
apaparicado pelos mestres que tudo sabem e se tornam
num estalar de dedos
como grandes educadores
ou (pior)
messias

agimos outrossim
num acto de criatividade e espontaneidade
que irrompeu
estamos convictos (ainda hoje) que sim – irrompeu
não demos espaço a paternalismos políticos
e
deixámos que o público fumasse durante o acto
logo
tivemos casas cheias mas ninguém viu
desenvolvemos um projecto (e muitos outros) mas saiu-nos sempre do bolso (do pelo)

todavia continuámos/continuamos
porque
ainda que não acreditemos no país que nos desrespeita (a mim há 63 anos)
acreditamos em nós
e
isso é a razão de estar (aqui)
até que passemos à clandestinidade ou à situação saudável de apátridas

pela parte que me toca
abstenho-me
porque já não acredito
pela parte que me toca
lamento
que se afirme que nada há
quando
de facto

mas impede-se de forma sistemática
e
muitas vezes
ardilosa
que se saiba que há
que existe

a guerra foi um facto (a mim calhou-me em sorte a guiné)
mas ninguém fala
porque não convém
porque as vítimas desse “facto” não têm direito à palavra

a farsa continua
os espectáculos
os poemas
os filmes
as memórias
nunca existiram

vá lá saber-se o porquê…

talvez porque os campos estavam minados
já nem sabíamos quais as minas nossas ou dos “inimigos”
apenas nos foi revelado que
as nossas (minas)
não matavam
estavam benzidas pelo capelão
e
protegidas pela virgem santa

a padroeira das terras lusas

 

nota: o texto saiu numa edição de “Crise Luxuosa” (editora falida e condenada à morte ao 7º livro)

 

das performances de mandrágora

Posted in mandrágora on Janeiro 7, 2011 by fundação velocipédica

Acção performantica in Teatro Cinearte
(Lisboa 1997)
Acções & Performances
Projecto de
“Poesia Viva”
Para a Semana da
Juventude
Com: Beliza, Bruno Vilão e Diogo Alvim – Projecto Mandragora

o delírio e a performance são, podemos dizê-lo, fenómenos estritamente relacionados – tudo reside no acto poético. isto será também verdade para a acção dramática, enquanto projecto que questiona a sua funcionalidade como elemento do rito. daí que possamos afirmar que a arte não tem qualquer relação com o bom senso ou com o senso comum, a arte não tem nenhuma relação com o sentido. tudo depende do olhar exterior e da acção produzida pelo poeta actuante. significantes manifestos de uma actividade oculta e inconsciente; o desejo do poeta. artaud dirá:

-”E doravante vou consagrar-me
exclusivamente
ao teatro
tal como o concebo,
um teatro de sangue,
um teatro que em cada representação faça ganhar
corporalmente
qualquer coisa
tanto àquele que representa
como àquele
que vem ver representar.
aliás
não se representa
age-se”

o performer  – e também o operador estético da acção dramática – sabe como a estrutura da acção é regida, da importância do gesto. o movimento pode ser levado ao limite, pelo que quase não há gesto (no sentido da expressividade), mas muitas atitudes que dele se distinguem. o aspecto mágico da performance está aí e tem em conta esta velha sabedoria: evocar algo que está sempre além dos níveis da consciência. os sentidos são evocados com objectivos que muitas vezes os transcendem. e a acção do poeta  – do iniciado -   reside nessa transcendência.

as edições de mandrágora

Posted in mandrágora on Janeiro 4, 2011 by fundação velocipédica

armas de sedução maciça

Em 1943, o químico Dr. Albert Hoffman, após uma viagem de bicicleta entre o seu laboratório e a sua casa escreveu nos seus diários: “Voltei a casa de Bicicleta envolto por uma estranha inquietude e uma persistente embriaguez ao nível da consciência. Era uma sensação nada desagradável de intoxicação que mantinha a imaginação extremamente estimulada. Pude então observar uma torrente de figuras caleidoscópicas de todas as cores ganhando formas fantásticas durante o caminho”.
Uma viagem de bicicleta pode ser uma experiência alucinante… é preciso ter cuidado com este instrumento do Demo com propriedades alucinogénias que parece intoxicar a mente, distorcer a realidade e estimular a imaginação… o facto de momentos antes o Dr. Hoffman ter descoberto e experimentado um composto químico, o qual denominou de LSD-25, é uma mera coincidência sem relevância. A culpa é da Bicicleta.
Na Idade Média as Bruxas recorriam à planta de Mandrágora para fazer as suas poções e contactar com o demónio. Aliás, as propriedades alucinogénias da Mandrágora são bem conhecidas. Aqui, a culpa é mesmo da Mandrágora. Outro instrumento do Demo.
Entre Mandrágoras e Bicicletas plantamos ilusões, enraizamos o sonho e regamos a intoxicação cultural da mente. Estranho apenas que em 25 anos de actividade cultural ainda não tenhamos sido detidos pelas forças da ordem. É que somos uma associação terrivelmente perigosa… temos armas de sedução maciça que utilizamos em cada espectáculo, em cada performance, em cada publicação…

Bruno Vilão

 

 

OS EFEITOS DE MANDRÁGORA OU TANTO DÁ ATÉ QUE FURA

 

Os antigos atribuíam à mandrágora propriedades afrodisíacas e outras virtudes mágicas. Na Alemanha desde o tempo dos Godos, mandrágora significa ao mesmo tempo bruxa e raiz. Maquiavel deu o titulo de Mandrágora a uma das suas peças onde o emprego desta erva era considerado como bom para tornar fecundas as mulheres estéreis e esta mesma ideia aparece numa comedia grega de Aléxis, em que se alude ao poder de fecundidade que dá aquela planta. Segundo a lenda a árvore do paraíso era uma Mandrágora. E foi o que se viu. Todos acreditavam ver nesta árvore a forma humana, quer de homem quer de mulher, e, segundo Plínio a primeira era branca e a segunda era negra. O poder maléfico da Mandrágora era tal que não podia ser arrancada directamente, para o que se empregava um cão a cuja cauda se atava à planta chamando depois, o dono, o animal que ao correr a arrancava pela raiz. Mesmo assim, convinha antes fazer três círculos à volta da erva. Na Europa, em alguns países, a planta é considerada como uma feiticeira, ou como uma fada. O Santo Ofício queimou algumas almas porque elas tinham mandrágoras em casa. Não percebo qual a dúvida em culpar esta “seita” que foi agora descoberta por utilizar a mandrágora. Eu não sou do tempo dos Godos nem dos Romanos, posso todavia confirmar que a poção servida pelos rapazes que “utilizaram” a “mandrágora” nos últimos vinte anos deixaram muitas mulheres fecundas e puseram muitos padres com vontade de os mandar queimar. Isto só por si dá razão a quem considera aquela raiz uma poção mágica, que quando bem utilizada tem efeitos terríveis e devastadores nas mentes dos homens e das mulheres que “inalam” semelhante produto. Juro pois perante as altas instancias desta tribo à beira mar plantada que tal “pasquim” deve ser imediatamente proibido e os seus feitores desterrados para Hades para que com as suas aleivosidades licenciosas não continuem a prejudicar a sã juventude deste torrão. Mais afirmo que as copias das peças que os réus tiveram o desplante de apresentar a público, AUGA(PEDRO OOM), ANTÓNIO MARIA LISBOA, CESARINY, FRANKENSTEIN e outras sejam reduzidas a pó em almofariz de prata e lançadas à profundeza das chamas donde jamais deveriam ter saído. Quanto ao cão que os rapazes costumam utilizar para arrancar as Mandrágoras pela raiz, que a besta seja perdoada porque ele só respondeu ao assobio dos donos, e que o mesmo seja entregue ao Santo Canil da Misericórdia onde deverá ser vigiado, não tenha no entanto aprendido com os donos a escrever, ou a praticar outros actos malfazejos.
Lisboa, tantos do tal de mil novecentos e noventa e tal
A Testemunha a Ferros
Victor Belém

Texto publicado em Bicicleta nº 4 (nos 20 anos de Mandrágora)

 

 

 

 

 

 

 

 

nos 31 anos de Mandrágora (pela web)

Posted in mandrágora on Dezembro 30, 2010 by fundação velocipédica

Os 31 anos de mandrágora foram assinalados em alguns espaços da net – “Portugal e Outras Touradas” disse:

 

Imagem do espectáculo "Triângulo de Sete Pontas" - Acção com base na poesia de António Maria Lisboa

“Saúda-se aqui, hoje, os 31 anos de existência de uma Associação cultural que, para vergonha das entidades públicas, mais interessadas em apoiar o que enche (ou vaza?) o olho do eleitor, continua sem um vão de escada que lhe permita desenvolver regularmente as actividades para que foi formada.
Conhecida e reconhecida internacionalmente, contou com a colaboração dos surrealistas portugueses, com destaque para Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas. Da sua acção artística e formação pedagógica resultou, além dos espectáculos e exposições multimedia realizados, todo um trabalho de iniciação às artes na área de Lisboa, de que beneficiaram não somente muitas instituições populares como também algumas figuras de relevo da actual vida cultural portuguesa.
Ao Manuel de Almeida e Sousa, alma primeira de muito do que os mandragorianos levaram avante nestes 31 anos, o meu abraço.”

recordando as nossas acções

Posted in mandrágora on Dezembro 30, 2010 by fundação velocipédica

Aleister Crowley e Fernando pessoa encontram-se… (em Cascais) – Um projecto de Victor Belém com a colaboração de Mandrágora e Miguel Yeco – Acção na Quinta da Regaleira em Sintra (1996) – performers de Mandrágora: Manuel Almeida e Sousa (A. Croley), Bruno Vilão (heterónimo de Pessoa – Alexander Search), Beliza A. Sousa (Sacerdotisa).

MandrágorA na "Quinta da Regaleira"

 

 

Manuel Almeida e Sousa é Aleister Crowley

 

 

Bruno Vilão é Alexander Search

 

 

Beliza A. Sousa é uma jovem sacerdotisa

 

 

Miguel Yeco é Fernando Pessoa

 

 

Miguel Yeco e Bruno Vilão - jogo de duplos

 

 

a chegada de sir Aleister Crowley

 

 

ritus

 

 

Abertura da acção na entrada da Quinta da Regaleira

 

 

A sacerdotisa...

 

 

Pessoa - Alexander Search

“(…) Crowley era um ocultista famoso. Pessoa, lendo numa publicação inglesa o seu horóscopo com alguns erros, escreveu-lhe a corrigir, já que era um profundo conhecedor e praticante de astrologia.
Efectivamente Crowley ficou admirado com os conhecimentos de Pessoa, e sempre pronto a viajar resolveu vir até Portugal, para conhecer o poeta. O encontro não foi assim tão idílico como seria de prever (…) De qualquer forma (Pessoa) prestou-se a colaborar na encenação do suicídio de Crowley na Boca do Inferno, o que permitia a este escapar incógnito não só das suas amantes como até do conhecimento do público. De facto ele (…) era uma figura cujo paradeiro e actividades, por vezes as mais perigosas, interessava saber-se.
Crowley vinha acompanhado de uma maga alemã, Miss Jaeger, também ela uma figura controversa da cena mágica, tendo escrito cartas a Fernando, assinando com um pseudônimo ocultista (…)

 

in: “Fernando Pessoa na Intimidade”, de Isabel Murteira França. Publicações Dom Quixote, Lisboa 1987

EDITA 2010 – Mandrágora em Espanha

Posted in mandrágora on Dezembro 29, 2010 by fundação velocipédica

Edita XVII Encuentro Internacional de Editores Independientes

Presença de Mandrágora com uma performance – actuantes: Bruno Vilão. Manuel Almeida e Sousa, Gonçalo Mattos e sonoridade de Igor A. Sousa

Este slideshow necessita de JavaScript.

grande promoção de natal

Posted in mandrágora on Dezembro 5, 2009 by mandragora79

envia-nos 5 euros e receberás uma bicicleta (via correios) – uma bicicleta 5 euros com oferta de um número antigo desta grande revista KULTURAL QB.
cheque em nome de Mandrágora
enviado para:
M. A. Sousa
Apartado 2065
2750 Cascais

(promoção válida para a União Europeia – outros países 7 Euros)
não esquecer indicação de nome e endereço postal

A aquisição desta revista é uma boa forma de apoiar esta associação cultural!… Mandrágora está disponível para enviar volumes de 10 exemplares dos vários números da sua revista para distribuição e divulgação

20 de novembro

Posted in mandrágora on Novembro 19, 2009 by mandragora79

No 30º aniversário de Mandrágora

entrevistas com Manuel Almeida e Sousa e Bruno Vilão (documento PDF) baixar aqui

Mandrágora?…

sobre a razão de Mandrágora responde Manuel Almeida e Sousa: – “A razão é outra e é louca” diria o poeta António Maria Lisboa.
E a razão, pode dizer-se, é o símbolo e o signo. (refiro-me à razão do nome) porque a Mandrágora – a planta Mandrágora Officinarum, que outros conhecem pelos nomes vulgares de Berenjenilha ou Uva de Mouro (Atropa Mandrágora) cresce na península ibérica, em bosques sombrios, junto às correntes de água e em sitios misteriosos onde nunca penetra o Sol. A sua raíz é grossa, longa e esbranquiçada,
por vezes dividida em duas partes.
Uma porção de folhas ovais e onduladas rodeia a raiz e estende-se em círculo pelo solo.
O seu fruto, semelhante a uma pequena maçã, produz um odor desagradável assim como toda a planta.
Os camponeses conhecem, ainda que por tradição, o terror que só o nome desta planta despertava nos seus antepassados.
Para eles era um vegetal que tinha algo de Humano e as obras de magia indicavam-na como algo excepcional a que é forçoso dispensar culto.
Teofrasto disse dela: árvore com cara de homem. A Mandrágora entrava na composição dos “Filtros”, dos “Malefícios” e em diferentes receitas de feiticeiros.
Quando a arrancavam da terra, diziam que o homenzinho encerrado nela lançava gritos horríveis e gemidos agudos. Era preciso colhê-la, debaixo de uma forca, após ritos estranhos. Os concílios da ICAR, ocuparam-se sempre deste assunto…

e o nome da planta figura na maior parte dos processos da Inquisição… A razão, outra, prende-se com uma palavra que nos é cara: criatividade. Voltando a António Maria Lisboa – “a criatividade e a espontaneidade irrompem espontaneamente ou não irrompem”… E nós estávamos nesse processo.
Havia que romper com o peso de uma cultura que se estava a impor, a que espelhava um novo autoritarismo crescente… os criadores / operadores estéticos (que se juntavam à mesa de café) queriam mais… A “treta” da “arte ao serviço do povo”, era algo que não fazia sentido – éramos a geração de Maio de 68, do “é proibido proibir”, do “exigimos o impossível”…
O somatório de tudo isto, levou-nos à construção de um caminho e esse caminho à porta do notário onde subscrevemos uma escritura.
Tudo teve lugar no ano de 1979 (fim de década – não por acaso, nada é por acaso. Ou talvez sim…), e também mês de Novembro (o das bruxas, dizem) o da revolta. Não Outubro (o da revolução…).
De saída (do cartório) a planta foi cuidadosamente colocada no vaso e… floresceu.
Daí se infere que Mandrágora está impregnada de rituais, de ligações… e logo, de um espírito colectivo libertador – criamos em liberdade – sempre e por princípio… cultivamos a velha tradição das vanguardas do século que ora terminou e, sempre, libertos de cânones.


os projectos de mandrágora

Posted in mandrágora on Junho 15, 2009 by mandragora79

performance em ArteserieS de gonçalo mattos em faro no passado dia 6 de junho de 2009 – instituto português da juventude. acção homenagem a mário cesariny de vasconcelos, um dos poetas de referência desta associação cultural fundada em Cascais no ano de 1979.

imagem e montagem de adão contreiras


ArteserieS II – faro 6 de junho

Posted in mandrágora on Junho 13, 2009 by mandragora79
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

                       Mário Cesariny

01_r

uma performance de mandrágora para mário cesariny de vasconcelos – com gonçalo mattos e manuel almeida e sousa

02_r

03_r

04_r

07_r

06_r

09_r

05_r

08_r

10_r

ArteserieS – Faro 9 de Maio

Posted in Uncategorized on Maio 29, 2009 by mandragora79

Acção de Manuel Almeida e Sousa, Bruno Vilão e Gonçalo Mattos – Mandrágora em Faro

ArteserieS – Faro 2009

Posted in Uncategorized on Maio 24, 2009 by mandragora79

A visão de Adão Contreiras

Arteseries – Faro 9 de maio de 2009

Posted in mandrágora on Maio 21, 2009 by mandragora79

ArteserieS – Faro 9 de Maio de 2009
A acção performativa de Mandrágora com: (Por ordem de entrada em cena) Gonçalo Mattos, M. Almeida e Sousa e Bruno Vilão.
A acção é de Gonçalo e Bruno, as vocalizações e som base de Manuel


Projecto de Mandrágora

ArteSerieS – Faro Maio de 2009

Posted in mandrágora on Maio 12, 2009 by mandragora79

Acções de Mandrágora e de Fernando Aguiar (9 de maio de 2009) – Instituto Português da Juventude – Faro

Performance de Bruno Vilão e Gonçalo Mattos

faro_a1

faro_a3

faro_a4

faro_a5

faro_a6

faro_a7

faro_a8

faro_a9

faro_a10

faro_a11

faro_a12

faro_a15

VID_02

faro_a16

faro_a17

vid_1

faro_a18

Acção de Fernando Aguiar

FA_01

FA_02

FA_03

acção de Manuel de Almeida e Sousa

terr_02

Terr_01

terr_03

terr_04

vou mesmo até Faro… e tu?

Posted in mandrágora on Maio 8, 2009 by mandragora79
resolvi ir até Faro (Algarve) dar uma olhadela a uma cena que se chama "ArteSerieS"... prometo não demorar, a minha bicicleta nunca me traíu. o que é isso da "ArteSerieS"?... eu também não sei. Depois conto. Só sei que é dia 9 de maio, entra pela noite dentro e tudo se passa no Instituto Português da Juventude de Faro.

resolvi ir até Faro (Algarve) dar uma olhadela a uma cena que se chama "ArteSerieS"... prometo não demorar. a minha bicicleta nunca me traiu. o que é isso da "ArteSerieS"?... eu também não sei. vou ver e, depois conto. só sei que é dia 9 de maio. que entra pela noite dentro e, que tudo se passa no Instituto Português da Juventude de Faro.

mandrágora em edita 2009

Posted in mandrágora on Maio 5, 2009 by mandragora79

A nossa comunicação apresentada pelo nosso associado Manuel Almeida e Sousa

manuel almeida e sousa apresentando mandrágora em edita 09 - Punta Umbria (Espanha). Foi um orgulho para o colectivo "mandrágora" a atribuição do prémio EDITA (deste ano) a este nosso colaborador e associado desde a 1ª hora

manuel almeida e sousa apresentando mandrágora em edita 09 - Punta Umbria (Espanha). Foi um orgulho para o colectivo "mandrágora" a atribuição do prémio EDITA (deste ano) a este nosso colaborador e associado desde a 1ª hora

IN HOC SIGNO VINCES

vai para muito tempo
pensamos
porque não fazer coisas compostas unicamente por imagens geniais?
porque não fazer coisas compostas unicamente por imagens que os outros não se atrevem?
porque não?
porque não romper com o mundo de hoje e gritar a independência
a sonolencia  a imagética sobrevivencia

ainda que ninguém nos entenda

é que   afinal
nós sempre entendemos
ainda que ninguém esteja interessado nisso

é que meus senhores minhas senhoras
nós sempre estivemos interessados
e
desinteressados por aquilo que é do interesse das maiorias uma vez que
nunca fomos conquistadores de prémios
nunca tivemos vagar para isso nem sequer
para muito mais
prémios em espécie – galinhas, pacotes de arroz, rebuçados de mel e alcaçuz, puloveres e guarda-chuvas
enfim
o que cria o belo horror nos corações
nos vossos coraçõezinhos sofredores
ou vos faz rir como soldadinhos em manobras
raios e coriscos

que é
o que está agora na moda e nos romances sentimentais

(pausa)

as nossas imagens são as outras
as malandrecas
elas incomodam?
a nós nem por isso

depois
construímos o fim para melhor entender o início
e
mergulhámos no balde do abjeccionismo
na poesia que rompe com os espaços correctos
e
se abre ao insurrecto ao tempo provecto

vai para muito tempo
pensamos
porque não fazer coisas compostas unicamente pelas imagens de poemas geniais?
perdemos 30 minutos à mesa de um café
ganhámos 30 anos de vida activa
construímos espaços sem espaço
construímos bicicletas de papel
bebemos chá de mandrágora do cantil de um velho feiticeiro
pedalámos no nosso velocípede
sem necessidade de furar a câmara de ar dos outros concorrentes

vai para muito tempo
pensamos
porque não construir imagens decompostas sobrepostas penduradas no quotidiano?
é que
há automóveis negros nos nossos maus pensamentos
e
respirações cobertas de papeis humedecidos por manhãs inesquecíveis e que jamias poderemos recordar
faço-me entender?
Então vão lá em paz
tenham bons sonhos
e já agora
não gritem muito no momento de rebentar
e
para finalizar uma perguntinha:
como se chamava o vosso gato, o vosso tio, o vosso antigo professor?
Se a resposta for a que todos esperam, bem podeis protestar, não tendes safa
e
de novo, que durmam todos bem e sem animais monstruosos a esperar-vos à entrada de casa quando lá chegarem depois deste maravilhoso discurso!

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.