mandrágora em edita 2009

by mandragora79

A nossa comunicação apresentada pelo nosso associado Manuel Almeida e Sousa

manuel almeida e sousa apresentando mandrágora em edita 09 - Punta Umbria (Espanha). Foi um orgulho para o colectivo "mandrágora" a atribuição do prémio EDITA (deste ano) a este nosso colaborador e associado desde a 1ª hora

manuel almeida e sousa apresentando mandrágora em edita 09 - Punta Umbria (Espanha). Foi um orgulho para o colectivo "mandrágora" a atribuição do prémio EDITA (deste ano) a este nosso colaborador e associado desde a 1ª hora

IN HOC SIGNO VINCES

vai para muito tempo
pensamos
porque não fazer coisas compostas unicamente por imagens geniais?
porque não fazer coisas compostas unicamente por imagens que os outros não se atrevem?
porque não?
porque não romper com o mundo de hoje e gritar a independência
a sonolencia  a imagética sobrevivencia

ainda que ninguém nos entenda

é que   afinal
nós sempre entendemos
ainda que ninguém esteja interessado nisso

é que meus senhores minhas senhoras
nós sempre estivemos interessados
e
desinteressados por aquilo que é do interesse das maiorias uma vez que
nunca fomos conquistadores de prémios
nunca tivemos vagar para isso nem sequer
para muito mais
prémios em espécie – galinhas, pacotes de arroz, rebuçados de mel e alcaçuz, puloveres e guarda-chuvas
enfim
o que cria o belo horror nos corações
nos vossos coraçõezinhos sofredores
ou vos faz rir como soldadinhos em manobras
raios e coriscos

que é
o que está agora na moda e nos romances sentimentais

(pausa)

as nossas imagens são as outras
as malandrecas
elas incomodam?
a nós nem por isso

depois
construímos o fim para melhor entender o início
e
mergulhámos no balde do abjeccionismo
na poesia que rompe com os espaços correctos
e
se abre ao insurrecto ao tempo provecto

vai para muito tempo
pensamos
porque não fazer coisas compostas unicamente pelas imagens de poemas geniais?
perdemos 30 minutos à mesa de um café
ganhámos 30 anos de vida activa
construímos espaços sem espaço
construímos bicicletas de papel
bebemos chá de mandrágora do cantil de um velho feiticeiro
pedalámos no nosso velocípede
sem necessidade de furar a câmara de ar dos outros concorrentes

vai para muito tempo
pensamos
porque não construir imagens decompostas sobrepostas penduradas no quotidiano?
é que
há automóveis negros nos nossos maus pensamentos
e
respirações cobertas de papeis humedecidos por manhãs inesquecíveis e que jamias poderemos recordar
faço-me entender?
Então vão lá em paz
tenham bons sonhos
e já agora
não gritem muito no momento de rebentar
e
para finalizar uma perguntinha:
como se chamava o vosso gato, o vosso tio, o vosso antigo professor?
Se a resposta for a que todos esperam, bem podeis protestar, não tendes safa
e
de novo, que durmam todos bem e sem animais monstruosos a esperar-vos à entrada de casa quando lá chegarem depois deste maravilhoso discurso!

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