20 de novembro

by mandragora79

No 30º aniversário de Mandrágora

entrevistas com Manuel Almeida e Sousa e Bruno Vilão (documento PDF) baixar aqui

Mandrágora?…

sobre a razão de Mandrágora responde Manuel Almeida e Sousa: – “A razão é outra e é louca” diria o poeta António Maria Lisboa.
E a razão, pode dizer-se, é o símbolo e o signo. (refiro-me à razão do nome) porque a Mandrágora – a planta Mandrágora Officinarum, que outros conhecem pelos nomes vulgares de Berenjenilha ou Uva de Mouro (Atropa Mandrágora) cresce na península ibérica, em bosques sombrios, junto às correntes de água e em sitios misteriosos onde nunca penetra o Sol. A sua raíz é grossa, longa e esbranquiçada,
por vezes dividida em duas partes.
Uma porção de folhas ovais e onduladas rodeia a raiz e estende-se em círculo pelo solo.
O seu fruto, semelhante a uma pequena maçã, produz um odor desagradável assim como toda a planta.
Os camponeses conhecem, ainda que por tradição, o terror que só o nome desta planta despertava nos seus antepassados.
Para eles era um vegetal que tinha algo de Humano e as obras de magia indicavam-na como algo excepcional a que é forçoso dispensar culto.
Teofrasto disse dela: árvore com cara de homem. A Mandrágora entrava na composição dos “Filtros”, dos “Malefícios” e em diferentes receitas de feiticeiros.
Quando a arrancavam da terra, diziam que o homenzinho encerrado nela lançava gritos horríveis e gemidos agudos. Era preciso colhê-la, debaixo de uma forca, após ritos estranhos. Os concílios da ICAR, ocuparam-se sempre deste assunto…

e o nome da planta figura na maior parte dos processos da Inquisição… A razão, outra, prende-se com uma palavra que nos é cara: criatividade. Voltando a António Maria Lisboa – “a criatividade e a espontaneidade irrompem espontaneamente ou não irrompem”… E nós estávamos nesse processo.
Havia que romper com o peso de uma cultura que se estava a impor, a que espelhava um novo autoritarismo crescente… os criadores / operadores estéticos (que se juntavam à mesa de café) queriam mais… A “treta” da “arte ao serviço do povo”, era algo que não fazia sentido – éramos a geração de Maio de 68, do “é proibido proibir”, do “exigimos o impossível”…
O somatório de tudo isto, levou-nos à construção de um caminho e esse caminho à porta do notário onde subscrevemos uma escritura.
Tudo teve lugar no ano de 1979 (fim de década – não por acaso, nada é por acaso. Ou talvez sim…), e também mês de Novembro (o das bruxas, dizem) o da revolta. Não Outubro (o da revolução…).
De saída (do cartório) a planta foi cuidadosamente colocada no vaso e… floresceu.
Daí se infere que Mandrágora está impregnada de rituais, de ligações… e logo, de um espírito colectivo libertador – criamos em liberdade – sempre e por princípio… cultivamos a velha tradição das vanguardas do século que ora terminou e, sempre, libertos de cânones.


Anúncios