das performances de mandrágora

by fundação velocipédica

Acção performantica in Teatro Cinearte
(Lisboa 1997)
Acções & Performances
Projecto de
“Poesia Viva”
Para a Semana da
Juventude
Com: Beliza, Bruno Vilão e Diogo Alvim – Projecto Mandragora

o delírio e a performance são, podemos dizê-lo, fenómenos estritamente relacionados – tudo reside no acto poético. isto será também verdade para a acção dramática, enquanto projecto que questiona a sua funcionalidade como elemento do rito. daí que possamos afirmar que a arte não tem qualquer relação com o bom senso ou com o senso comum, a arte não tem nenhuma relação com o sentido. tudo depende do olhar exterior e da acção produzida pelo poeta actuante. significantes manifestos de uma actividade oculta e inconsciente; o desejo do poeta. artaud dirá:

-”E doravante vou consagrar-me
exclusivamente
ao teatro
tal como o concebo,
um teatro de sangue,
um teatro que em cada representação faça ganhar
corporalmente
qualquer coisa
tanto àquele que representa
como àquele
que vem ver representar.
aliás
não se representa
age-se”

o performer  – e também o operador estético da acção dramática – sabe como a estrutura da acção é regida, da importância do gesto. o movimento pode ser levado ao limite, pelo que quase não há gesto (no sentido da expressividade), mas muitas atitudes que dele se distinguem. o aspecto mágico da performance está aí e tem em conta esta velha sabedoria: evocar algo que está sempre além dos níveis da consciência. os sentidos são evocados com objectivos que muitas vezes os transcendem. e a acção do poeta  – do iniciado –   reside nessa transcendência.

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