do teatro & do dia dele (teatro)

by fundação velocipédica

o teatro vivido & vivo é a nossa rosa dos ventos

e

como há muito o dissemos:… O espectáculo terá de assumir o regresso a formas teatrais “populares”, rituais, de redescobrir a origem e experiência do rito.
Deverá construir um todo poético, no limite do teatro como acção dificilmente classificável. Uma acção onde a teatralidade, a linguagem e o compromisso passe pela espontaneidade e criatividade de quem representa e de quem vem assistir. Este compromisso implica acções de impacto, onde não haja espaço para adormecer o público, antes estimule o seu impulso criativo.
Daqui o necessário abandono de normas e cânones estreitos, optando pela afirmação de um conjunto de “não regras”, da exclusão de uma aprendizagem sufocante. A alternativa passa pela extenuante e constante busca de uma humanidade perdida e destruída. Uma espécie de trágico visionarismo que descobre as imagens perdidas (entenda-se imagens como um todo poético a exemplo de António Maria Lisboa; “…Tudo são imagens…” ou se quisermos; na magia tudo é imagem, cor, ritmo, sonoridade, movimento – a abstracção é, pois, estranha a este fenómeno).
O exercício do actor sobre estas imagens terá que ser sempre uma acção não de correcção, mas de acumulação de experiências vividas.

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO 2012
De: JOHN MALKOVICH

Fico honrado por o ITI – Instituto Internacional do Teatro me ter pedido para fazer este discurso comemorativo do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Vou então dirigir estes breves comentários aos meus companheiros de teatro, meus pares e meus camaradas.

Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e original. Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único. Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme. Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar. Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o  trabalho da vossa vida. E que o melhor de vós próprios – porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão “como vivemos nós?”

Desejo sinceramente que o consigam.

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