poesia experimental portuguesa & o palco…

by domadordesonhos

… embora já existisse alguma actividade prenunciadora de uma escrita de vanguarda como, por exemplo, os livros POEMAS PROPOSTOS de Jaime Salazar Sampaio (1954) e ABANDONO VIGIADO de Alexandre O’Neill (1960), assim como o artigo de Ana Hatherly sobre poesia concreta publicado no jornal Diário de Notícias em 1959, com a proposta de um poema concreto, o aparecimento da poesia experimental em Portugal foi de certo modo precedido com a edição de uma pequena antologia de Poesia Concreta do Grupo Noigandres, publicada em 1962 pela Embaixada do Brasil em Lisboa, no mesmo ano em que E. M. de Melo e Castro publica IDEOGRAMAS, o primeiro livro português de poesia experimental.
O facto de em Portugal não ter existido um grupo estruturado de poetas concretos terá sido a principal razão da não existência de um manifesto, procedimento usual em movimentos deste tipo. No entanto, essa circunstância não impediu que poetas como Ana Hatherly, António Aragão, E. M. de Melo e Castro ou Salette Tavares se reunissem para produzir revistas, exposições e happenings. O seu trabalho criativo contribuiu inclusivamente para a divulgação da poesia concreta noutros países europeus, como foi o caso da carta que E. M. de Melo e Castro enviou ao suplemento literário do Times em 1962 que, segundo o testemunho de Don Sylvester Houéddard no catálogo da exposição “QUADLOG” (1968), e de John Sharkey na antologia MINDPLAY (1971) influenciou poetas ingleses e escoceses a desenvolverem trabalhos de poesia concreta.
No princípio da década de 60 a poesia experimental era bastante contestada e criticada por um intelectualismo em decadência e pouco aberto a experiências e a inovações. Foi neste contexto que em Julho de 1964 apareceu o primeiro número da revista Poesia Experimental, organizada por António Aragão e Herberto Helder, e que contava com a colaboração de António Barahona da Fonseca, António Ramos Rosa, E. M. de Melo e Castro e Salette Tavares.
No ano seguinte estes mesmos autores (excepto António Ramos Rosa) apresentaram a exposição “VISOPOEMAS”, no âmbito da qual teve lugar o Concerto e Audição Pictórica, o primeiro happening realizado em Portugal. Esta acção de carácter “neodadaísta” foi executada por António Aragão, Clotilde Rosa, E. M. de Melo e Castro, Manuel Baptista e Salette Tavares, com a colaboração dos músicos Jorge Peixinho e Mário Falcão…”

(texto de Fernando Aguiar)

poema de Fernando Aguiar

A POESIA EXPERIMENTAL E O TEATRO

em 1977 o grupo de teatro Anima coordenado pelo actor e encenador brasileiro Seme Lutfi, apresenta-se em público com espectáculos de animação de textos visuais, da poesia Experimental Portuguesa, integrados no plano de colaboração cultural entre a Associação Portuguesa de Escritores e a S.P.A. (Sociedade Portuguesa de Autores) – apresentado a 28.7.1977 na sala de teatro da S.P.A..
textos visuais de: Alberto Pimenta, António Aragão, Ana Hatherly, E. M. De Melo e Castro, Liberto Cruz, Salette Tavares e Silvestre Pestana
concepção: Seme Lutfi e Silvestre Pestana
direcção: Seme Lutfi e Rui Frati
figurinos: Jean Lafront
música: Jaime Simões Queimado
elenco: Alberta Melo e Castro, Carlos Vieira de Almeida, Eugénia Melo e Castro, Fernando Vaz do Nascimento, Filipe Crawford, Graça David, João Soromenho, Luísa Aparício, Manuel Almeida e Sousa, Rui Frati e Seme Lutfi.

No mesmo ano, o teatro Anima  participará nos II Encontros Internacionais de Arte, Caldas da Rainha

poema (mala) de António Barros

O ânima de MandrágorA

foi estreado na queda do século XX… mandrágora apresentou a poesia experimental portuguesa – a das décadas de 60/70

e
percorremos os textos dos poetas: Ana Hatherly, Alberto Pimenta, António Aragão, Liberto Cruz, Jaime Salazar Sampaio, José Luis Luna, Fernando Aguiar, Almeida e Sousa, E. M. Mello e Castro, Salette Tavares, José Alberto Marques…
a banda sonora foi de Carlos Bechegas.
a encenação de: M. Almeida e Sousa
e os actores: Beliza e Bruno Vilão

poema de M. Almeida e Sousa

Mandrágora prepara-se para lubrificar a sua Bicicleta para se aventurar (de novo) por essas estradas poéticas

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